TICKLING-ARTIGO
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A MORFOLOGIA E ANATOMIA DO RISO
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Atualizado em: 13/08/2004 |
Recentemente, cientistas norte-americanos e europeus publicaram estudos e pesquisas que foram realizadas no sentido de desvendar certos aspectos das interações sociais nas relações humanas, principalmente em núcleos sociais menores, como a família e amigos por exemplo.
Para facilitar esses estudos, desmembraram-nas em três partes, a saber:
1. O RISO
2. AS CÓCEGAS
3. AS BRINCADEIRAS
E sem saber esbarraram em alguns aspectos interessantes a cerca do fetiche das cócegas. Bem, durante o tempo em que realizaram estes estudos e pesquisas eles chegaram a conclusão, que O RISO é muito importante para o ser humano. Ele é universal, pois podemos não entender a forma de linguagem uns dos outros, mas sabemos quando alguém está rindo ou chorando, e o que cada uma dessas reações quer dizer exatamente. Ou seja, estas reações são consideradas como linguagens universais.
O riso ocorre em qualquer idade, cultura e espécie, mas há novas evidências que indicam que ele é muito mais do que apenas uma mera "manifestação de alegria".
Ele remete as brincadeiras de criança e dá início a interação com o mundo ao nosso redor. Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com o grupo social no qual nos inserimos, e também para aliviar as tensões sociais do cotidiano. O riso, as cócegas e as brincadeiras estão entrelaçados de formas bastante complexas e são uma das nossas primeiras experiências de vida.
Tudo começa, praticamente, quando a criança nasce, pois, os pais esperam aquele sorriso social de aprovação e satisfação, que indica que a criança está limpa, seca e saciada, em suma, satisfeita. Para tanto, passam a incentivar o ato do riso através de brincadeiras e qual é a forma mais natural de estimular o riso em um bebê? Através das cócegas!
Esse momento mágico, entre pais e filhos, gera uma interação social do bebê não só com sua família, mas que também com grupo social que o cerca e que perdurará por toda vida.
Assim como temos necessidade de exteriorizar nossas tristezas através do choro, que nada mais é do que um mecanismo de escape e defesa emocional, também temos necessidade de expressar nossas alegrias através do riso de forma oposta, mas para o mesmo fim.
Ao contrário do que sempre se pensou, o riso não é uma prerrogativa apenas humana. Outros animais, tais como, os ratos ou os macacos, por exemplo, também riem. Não da forma como conhecemos(Hi, Hi,... ou Ah, Ah,...), mas sim através de vocalizações, mais parecidas com guinchos, granidos e outros sons, ou até mesmo através de certas posturas corporais(que também podem ser lidas como posturas de submissão).
Se outros animais(mamíferos) podem rir de uma forma digamos... mais... "primitiva", isto quer dizer que, como mamíferos também compartilhamos dessa mesma estrutura morfológica cerebral. Então através de um raciocínio, até mesmo linear, podemos afirmar que o riso é gerado em regiões mais primitivas do cérebro, regiões estas, que ainda compartilhamos com outros animais irracionais, menos especializados do que o ser humano. Ledo engano, o Prof. americano Issac Flint(neuro-cirurgião), mapeando o cérebro humano, através de eletroencefalogramas e tomográfias computadorizadas, descobriu que o riso é gerado em regiões altamente desenvolvidas do cérebro responsáveis por tarefas muito mais complexas como a leitura e a fala, por exemplo. Também descobriu, que o mecanismo físico que gera o riso, na verdade, nada mais são do que uma série de reações químicas provocadas pelas endorfinas(hormônios produzidos no cérebro que são considerados os responsáveis pelo estado de euforia, alegria, felicidade e de humor das pessoas em geral), que por sua vez aumentam os impulsos elétricos nestas áreas mais especializadas do cérebro. É isto que nos leva desde um esboço de riso até uma gargalhada. É a quantidade de endorfina liberada e consequentemente a intensidade destes mesmos impulsos neuro-elétricos que geram aquela sensação de felicidade depois de uma boa sessão de gargalhadas.
Porém, ambas as teorias conflitantes entre si , geram um paradoxo:
Como pode ser o riso ser gerado ao mesmo tempo em regiões primitivas do cérebro e também em áreas responsáveis por tarefas altamente complexas e elaboradas?
A resposta, era muito mais fácil do que se podia imaginar.
Outro pesquisador o Dr. Robert Proville, acredita que nossa capacidade de rir se baseia em outra capacidade humana, a de desenvolver o senso de humor.
"- Ou seja, quando ouvimos risadas, na verdade estamos ouvindo apenas uma vocalização dos mamíferos humanos, típica do comportamento dos mesmos, como ele é. Num nível mais essencial, esse tipo de riso é oposto ao tipo que damos em resposta ao ouvirmos alguém contando uma piada ou algo engraçado. Esse tipo de riso está intimamente ligado ao nosso estado de humor. Essa capacidade cognitiva está estreitamente associada a fatores linguísticos que é algo que evoluiu muito depois da fala e da linguagem, pois, precisamos ouvir e entender uma piada, para só então depois achar graça dela rir. Essa é outra capacidade que só o ser humano tem, e que foi adquirida e desenvolvida mais recentemente na escala evolutiva."
Isto quer dizer que, o ser humano aprimorou sua capacidade inata e primitiva de rir, transformando-a e processando-a em uma área mais especializada do cérebro, área essa onde se desenvolve a fala, a leitura e o raciocínio lógico. São esses dois fatores juntos geram o que chamamos, hoje, de SENSO DE HUMOR.
Tudo isso nos leva a concluir que o riso é gerado tanto, internamente por nossa, incomum, capacidade de desenvolvermos senso de humor, quanto por fatores externos ambientais e sociais.
Mas o que origina de verdade a nossa capacidade de rir? Qual é o mecanismo inicial e mais básico que dispara o riso? O que fisicamente pode provocar a resposta do riso e por que?
No Neurologic Institut of London a resposta já estava a caminho. AS CÓCEGAS!
Partindo da premissa de que as cócegas são uma reação nervosa a um estímulo tátil a Dra. Blake Moore queria descobrir porque uma pessoa não sente cócegas se ela mesma estiver gerando esse estímulo?
Ela chegou a conclusão de que quando uma pessoa podia prever as cócegas, pois, ela mesmo as estava fazendo, um mecanismo arraigado no seu cérebro bloqueava essa sensação. Mas quando outra pessoa as fazia, isso acionava uma área diferente do cérebro chamada córtex somato sensorial, situada em ambos os hemisférios do mesmo, e que são responsáveis por essa sensação.
Há cem anos atrás, o mundialmente famoso antropólogo Charles Darwin, pesquisou essa mesma questão e chegou a conclusão que esse mecanismo de diferenciação arraigado, tem o propósito de distinguir as cócegas feitas por si mesmo das feitas por outrem, e neste caso, rir facilita as ligações sociais. Isso demonstra que nascemos pré-programados para rir uns dos outros ou uns com os outros, como parte das interações sociais.
Sendo assim, cá estamos nós de volta ao caráter social do riso.
Foram feitas algumas experiências com seres humanos que demonstraram bem esse propósito.
Primeiro, contaram a um grupo de pessoas, que riram muito, uma série hilariantes de piadas. Depois, contaram a mesma série de piadas a uma única pessoa, que nunca as tinha ouvido antes, e ela riu 68% menos que o grupo, tanto quantitativamente, quanto qualitativamente falando. Levando-se em conta as variantes de humor, concentração, nível de interesse, etc; podemos ainda afirmar que o riso é um ato social, pois, se não formos estimulados por membros do grupo ou por algum contexto social(algo que as pessoas julguem engraçado) somos incapazes de rir espontaneamente "do nada", ou seja, precisamos de estímulos sociais, uma situação engraçada com outrem, ou ainda, que outra pessoa nos faça cócegas, por exemplo(o que é uma forma física de contato social), para que possamos chegar ao riso. Desta forma podemos a firmar, que o ato de rir depende sempre de um ou de vários outros indivíduos para acontecer.
As cócegas feita por outras pessoas produzem risos, e ambos evoluíram para que nos identifiquemos com o grupo social ao qual pertencemos(família, amigos, etc...). E disso desenvolveu-se o comportamento mais social de todos: A BRINCADEIRA!
Já vimos que as primeiras brincadeiras que ocorrem na vida de certos animais mamíferos (isso inclui o homem, principalmente), são as cócegas, entre pais e filhos.
Na faculdade de Ohaio, o renomado cientista Dr. Panckset, encontrou evidências de que assim como as cócegas e o riso, as brincadeiras são uma necessidade básica partilhada entre as espécies, e que serve como forma de trabalhar o jogo de dominação e submissão entre indivíduos do mesmo grupo social, de forma não-violenta. Isso nos leva a concluir que as brincadeiras através das cócegas e do riso tem o significado da competição entre os indivíduos de uma mesma espécie e grupo social. E nos ajuda a entender as sutilezas das relações sociais, aprendendo a ganhar e a perder, dominar e ser dominado socialmente.
Na verdade, o contexto da brincadeira das cócegas é o seguinte:
"Vou atacar você ferozmente, mas não vou machuca-lo e você pode estar certo disso."
Ou seja, para que isso seja uma brincadeira prazerosa, tem que haver uma relação de confiança entre quem faz e quem recebe as cócegas(como na relação entre pais e filhos, por exemplo). Essa relação de confiança é muito importante e jamais pode ser quebrada, sob risco de tornar a deliciosa brincadeira das cócegas em algo desagradável. O mesmo pode-se dizer do tempo que elas duram.
É muito importante ressaltar, que alguns cientistas e estudioso desse assunto, acreditam que as brincadeiras são parte essencial da formação do caráter, inclusive sexual das crianças. Alguns estudos feitos, indicaram que a necessidade brincar é irresistível, pois, quando cobaias jovens(com apenas algumas semanas de vida) eram isoladas e privadas de brincar umas com as outras, por muito tempo, e depois recolocadas juntas novamente, elas mostraram níveis bem mais altos de desejo de brincar(desejo), de forma mais vigorosa(ansiedade) e durante um tempo bem maior. Isso indica que esse processo é regulado ao longo da vida. Então, se um indivíduo for privado de brincar durante a infância e parte de sua adolescência, por excesso de atividade curricular ou extracurricular, por exemplo, poderá desenvolver ao longo da vida um comportamento mais violento e impulsivo podendo também desenvolver traumas, frustrações e desejos reprimidos. Quando brincamos, simulamos e desenvolvemos durante a dinâmica do jogo, as mesmas situações cotidianas que viveremos mais tarde durante a vida adulta. Ou seja, essas brincadeiras físicas vitais e precoces ensinam-nos o alto controle e o comportamento social de que precisaremos na idade adulta. Então, se o indivíduo não brinca bastante durante a infância, esses impulsos se acumulam nos lóbulos frontais do cérebro e em áreas subjacentes e mais tarde ele tenderá a desenvolver e manter permanentemente esses impulsos "lúdicos" na vida adulta. Isso por sua vez, pode levar a vários distúrbios da personalidade, tais como, complexo de Peter Pan(quando a pessoa se nega a assumir suas responsabilidades de adulto, agindo sempre infantilmente, com irresponsabilidade e imaturidade), distúrbio do déficit de atenção(mais conhecido como hiper-atividade) e outros.
Como já seria de se esperar, a mesma experiência também demonstrou, que algumas cobaias que foram privadas de brincar na infância desenvolveram um alto grau de stress emocional que as levou a uma depressão tão forte, que sem o tratamento adequado(por meio de anti-depressivos/fluoroxetina) poderiam ter morrido.
Também ficou provado que os machos tem mais necessidade de brincar do que as fêmeas. Mas como ou porque isso se dá com os machos de cada espécie ainda é uma incógnita. Uns atribuem ao seu caráter de ser dominante no grupo social, pois, se ele for privado de brincar durante a infância, e não conhecer de forma mais "lúdica" seu papel social de macho(dominante) do grupo isso poderá gerar confusões e disfunções psicológicas graves no indivíduo. Já outros dizem que não são os machos que tem mais necessidade de brincar, e sim as fêmeas, que por sua maior sensibilidade e consequentemente maior poder de abstração, tem uma maior capacidade de administrar e dosar isso ao longo da vida, de forma mais natural e menos ansiosa.
Haja visto, que as fêmeas humanas, por exemplo, amadurecem psicologicamente mais cedo que os machos da espécie. Todavia, isso não quer dizer, que as mulheres não possam desenvolver esse tipo de fetiche. Algumas teorias dão conta de as mesmas razões que geram o fetiche das cócegas em homens, podem gerar essa "parafilia" também em mulheres já pré-dispostas geneticamente a distúrbios de personalidade.
De qualquer forma, todas essas recentes descobertas, demonstram que o fetiche das cócegas é primeiramente mais presente entre os machos de uma mesma espécie ou grupo social, e que sua provável origem está ligada a privação das brincadeiras como fontes de interações sociais durante a infância. Além disso, fica claro o papel da dominação e da submissão que as brincadeiras das cócegas tem na construção da personalidade dos indivíduos, que por sua vez está intimamente ligada a sua sexualidade. Ou seja, se entendermos que a sexualidade humana também é uma forma de relacionamento interpessoal, ficará fácil entender porque desenvolvemos o fetiche das cócegas.
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