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AS ORIGENS DO SADOMASOQUISMO NO BRASIL E NO MUNDO (2 CAPÍTULO)
Atualizado em: 13/08/2004


   Como já vimos antes, a inquisição foi a grande responsável pela fixação do sadomasoquismo na psique humana.
    Sendo assim, tomemos como base nas execuções em praça pública, agora pegamos como exemplo a fogueira como forma de execução. É óbvio, para qualquer leigo, que a excitação coletiva que isso causava, para um povo que tinha o sexo como pecado passível de punição divina, uma execução na fogueira, funcionava devido ao seu caráter suplicioso como uma espécie de processo de catarse expurgativa que por sua vez os levava a um, por assim dizer, “gozo santo” , pois, ao queimarem uma bruxa na fogueira estavam queimando simbolicamente sua culpa pelo “pecado do sexo”.

    Como a inquisição durou quase, por assim dizer, uma eternidade, e dezenas de pessoas eram mortas todos o dias na Europa e também nas Américas, a violência e a crueldade foram se banalizando mais e mais, sendo gradativamente introjetadas no inconsciente das pessoas, passando fazer parte do seu cotidiano.
    É bem verdade, que este processo de banalização e introjeção, da violência e da crueldade já vinha se desenvolvendo desde o início da civilização romana, com suas crucificações e outras práticas de execuções violentas, nas quais os cristãos eram trucidados em público, mas foi durante o período da inquisição, que esse processo tornou-se menos “social” e mais um método terrorista de dominação(em massa) através do qual, o medo e a culpa serviam as idéias hegemonia religiosa da igreja católica.

    Mais tarde, em 1785 é que o sadismo disponta como idéia-sexual, com a publicação do livro “Os Cento e Vinte Dias de Sodoma” escrito pelo Marques de Sade. Porém, só quase um século depois, em 1870 com a publicação de outro livro entítulado “A Vênus das Peles” de Leopold Von Sacher-Masoch, é que nasce o masoquismo. Mas o conceito de sadomasoquismo, como o conhecemos hoje, só será cunhado quase 50 anos mais tarde pelos famosos psquiatras Jung e Freud, que o tratarão ainda conforme a moral vingente da época, ou seja, como forma de perverção, desvio sexual, parafilia, etc... quando na verdade o Sadomasoquismo é oriundo da violência, crueldade e bestialidade do ser humano ao longo de milhares de anos, amenizado pelo racionalismo e a civilidade.
    Todavia, ainda estaria por vir um último resquício de nossa da nossa bestialidade. A primeira e a segunda guerra mundial.

    Durante a construção do império nazista, é que a natureza bestial do homem mais se desenvolveu. Não só pela criação das mais variadas formas de matar, inclusive com requintes de crueldade inimágináveis, mas também pelas inúmeras atrocidades, tais como, os “estudos sobre a dor” do mundialmente conhecido carrasco nazista Dr. Mengheli. Ou ainda, as experiências com gêmeos onde o mesmo “doutor” mutilava ambos e depois costurava-os como se gêmeos siameses fossem. Atos hediondos como esses nada tem a ver com sadomasoquismo, mas é bem verdade que é em tempos terríveis como esses ou como no período da inquisição, é que o sadomasoquismo é exercitado a extremos para depois, transformar-se em algo... digamos... mais... brando, mas isso é outra história.

    Também surgiram (ou ressurgiram) nesta época, novas (ou velhas) “técnicas de interrogatório”, algumas delas bastante truculentas, tais como, arrancar as unhas das mãos e dos pés do prisioneiro(a preferida dos nazistas), ou ainda, a de enfiar agulhas debaixo das unhas(técnica muito comum entre os orientais). Na verdade, todos os episódios mais violentos e mais sangrentos da humanidade, sempre tiveram papel definitivo para o desenvolvimento do sadomasoquismo desde a pré-história, como já vimos, não servindo apenas para a criação de novos métodos de tortura, mas sim, para a introjecção de novas fantasias e desejos de cunho sexual(Ex.: as fantasias sexuais de dominação ou de sexo com homens fardados de militares, policias, bombeiros, etc...). Veja em breve aqui o 3 e último capítulo deste artigo.
 

 





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